ÚLTIMO CAPÍTULO
NA PRÓXIMA SEMANA SERÁ POSTADO O ÚLTIMO CAPÍTULO DE HERANÇA DE SANGUE - VOLUME I, AGUARDEM!!!
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
domingo, 22 de janeiro de 2012
Mitos e lendas: PUBLICAÇÃO SEMANAL: CAPÍTULO 20Capítulo 20 – A ...
Mitos e lendas: PUBLICAÇÃO SEMANAL: CAPÍTULO 20
Capítulo 20 – A ...: PUBLICAÇÃO SEMANAL: CAPÍTULO 20 Capítulo 20 – A fuga Como só eu sabia dirigir, nos apertamos em uma das caminhonetes e seguimos para o...
Capítulo 20 – A ...: PUBLICAÇÃO SEMANAL: CAPÍTULO 20 Capítulo 20 – A fuga Como só eu sabia dirigir, nos apertamos em uma das caminhonetes e seguimos para o...
PUBLICAÇÃO SEMANAL: CAPÍTULO 20
Capítulo 20 – A fuga
Como
só eu sabia dirigir, nos apertamos em uma das caminhonetes e seguimos para o
laboratório. Tentei tirar proveito da situação e retardei ao máximo a chegada
na esperança de que os demais recobrassem a consciência. Meu esforço foi em
vão. Passamos pelos portões com eles ainda desacordados.
Não tinha idéia do que fazer. Apenas
os transportei para dentro e os acomodei na sala de Sebastian enquanto era
vigiada de perto. Não sabia exatamente o que estava por vir, mas tinha certeza
de que precisava evitar que eles tivessem acesso a sangue. Para minha sorte
todo nosso estoque havia sido usado.
Meu algoz entrou na sala.
“Vejo que seus amigos já estão
confortavelmente instalados. Agora já pode me acompanhar.”
Um dos vampiros ficou de guarda na
porta enquanto o outro seguiu conosco.
“Onde exatamente estamos indo?”
“Verificar em que estado estão os
outros para que eu possa trazê-los de volta.”
“E como pretende fazer isso?”
“Seu sangue me regenerou, o meu pode
fazer o mesmo com eles.”
“Então não sou mais necessária.”
“Você se engana, sua importância vai
muito mais além. Seu sangue é puro como o meu. Você é a única fêmea da espécie,
está destinada a ser minha.”
Decidi não argumentar, era melhor
não contradizer tal loucura, pelo menos até ter um plano para fugir.
Depois de percorrermos algumas salas
a inspeção estava acabada. Ele se dirigiu ao vampiro moreno que estava atrás de
nós.
“Parece que está tudo em ordem
Klaus. Logo iniciaremos o processo para trazê-los ao nosso convívio. Mas eles
estarão famintos.”
“Então é hora da caça!”
“Certamente, meu amigo.”
Os vampiros se entreolharam e surgiu
um brilho vermelho em seus olhos. Estavam excitados com a perspectiva de caçar.
“O que vocês vão caçar?”
Na verdade já sabia a resposta, mas
precisava me certificar.
“Comida, minha querida. Sangue
fresco para os meus. Humanos deliciosos.”
Fiquei horrorizada. Nunca havia
pensado em matar alguém para me alimentar.
“Não há outro jeito?”
Rômulo
soltou uma gargalhada.
“Claro que há, mas que prazer
haveria nisso?”
Eles eram monstros. Gostavam de
matar. Era o tipo de criatura a qual temer. Afastei meus medos e comecei a
pensar com praticidade. Eles sairiam para caçar, isso me dava uma chance de
escapar. Torci para que todos já estivessem acordados. Estava tão perdida em
meus pensamentos que dei um pulo quando Klaus falou.
“Ela virá conosco?”
“Ah, bem lembrado, Klaus!”
Então Rômulo olhou em meus olhos.
“Cara dama, desculpe-me pela
grosseria de não convidá-la. Gostaria de nos acompanhar na caçada?”
Respondi sem pensar:
“Você só pode estar brincando, né?
Não vou tomar parte nisso!”
Um sorriso surgiu em seus lábios.
“Eu já esperava uma recusa. Você
ainda não conheceu os prazeres que esta vida pode proporcionar, mas haverá
tempo para corrigir tal descuido. Acho que é hora de ficar com seus amigos.”
Fui trancada na sala e o guarda
permaneceu. Foi ilusão minha achar que nos deixariam sozinhos. Suspirei, ao
menos agora era só um.
Percebi um movimento atrás de mim,
uma cabeça se moveu. Era Alex. Corri para abraçá-lo.
“Oh, Alex! Graças a Deus você está
bem!”
Ele se sentou e me tomou nos braços,
então estávamos no beijando e tudo aquilo ficou para trás, como se o mundo
deixasse de existir. Fomos arrancados do paraíso por pigarros impacientes. Era
o restante que nos rodeava. Foi Natália quem falou primeiro.
“Sinto interromper os pombinhos, mas
seria bom que Mel nos explicasse como viemos parar aqui. Só consigo me lembrar
da parte em que fomos atacados.”
“Certo! Rômulo já deve ter falado
para você sobre toda aquela baboseira de originais.”
Todos assentiram.
“Vocês também devem ter percebido
que eles são incrivelmente fortes, rápidos e inteligentes.”
Sebatian me cortou.
“Precisamos saber o que aconteceu
depois, Mel.”
“Robert e eu fomos buscar vocês, ele
não voltou e quando fui ver o que estava acontecendo encontrei vocês
inconscientes e três vampiros me cercando.”
“Por que eles não atacaram você?”
“Esta é a maior das insanidades. O
tal Rômulo, que parece ser o chefe, fica falando o tempo todo que eu também
tenho sangue puro, que foi meu sangue que o libertou e que estou destinada a
ser dele. É mole?”
Percebi que a expressão de Alex se
fechou e seus braços apertaram minha cintura enquanto falava.
“Só faltava essa agora! Um vampiro
milenar apaixonado por você!”
“Não acho que ele esteja apaixonado.
Tem algo a ver com aumentar o poder.”
Foi a vez de Hellen se pronunciar.
“Hei! Não é hora para crise de
ciúmes. Vamos nos concentrar! Qual é nossa situação atual?”
Pedi que todos chegassem mais perto
e sussurrei com medo de que o guarda na porta ouvisse.
“Só temos um guarda na porta. Os
outros saíram para caçar, e acreditem: são presas humanas. Quando voltarem vão
tentar ressuscitar os demais.”
“Então precisamos agir agora!” Alex
soltou minha cintura enquanto falava. “Precisamos entrar em contato com Josh.
Sebastian onde ele está?”
“Viajou até Bucareste para buscar
alguns materiais que acabaram, mas já deve estar voltando.”
Alex colocou a mão no bolso da calça
e retirou o celular.
“Para nossa sorte eles desconhecem a
tecnologia atual. Acho que ainda tenho bateria para mandar uma mensagem. Vou
pedir que nos espere no aeroporto de Bucareste com passagens para Paris.”
“Mas e as pessoas que eles estão
trazendo para cá? Não podemos deixar que morram!”
Alex segurou meu rosto.
“Mel, meu amor, nossa prioridade é
sair daqui e colocá-la em segurança. Depois vamos nos organizar e voltar para
pegá-los.”
Quis protestar, mas sabia que ele
tinha razão.
“Alex, não podemos deixar que tentem
ressuscitar os demais.”
Robert concordou comigo.
“Ela tem razão, a força deles
aumentará muito.”
“Ok, então queimaremos os corpos na
fuga.”
O plano era bem simples: Alex e
Robert renderiam o guarda e arrancariam sua cabeça, deixá-lo vivo significaria
dar chance ao inimigo, depois incendiaríamos o laboratório, assim todos os
corpos estariam perdidos para sempre. Josh nos esperaria no aeroporto e
seguiríamos para Paris, de lá estudaríamos uma estratégia para pegar Rômulo.
A tarefa de render o guarda parecia
fácil, não estávamos preparados para o que aconteceu.
Quando Alex e Robert derrubaram a
porta, prontos para atacar o guarda, ele não se encontrava mais lá. Antes que
pudéssemos nos recuperar da surpresa senti um vulto passar por mim. Olhei para
trás e vi Hellen e Natália caídas no chão, inconscientes.
Como aquilo era possível? Mesmo que
ele tivesse ouvido nossa conversa não teria tempo de reagir tão rápido. Sem
contar o fato de que era apenas um! Deveríamos ser capazes de dominá-lo.
Alex, Robert e Sebastian, finalmente
recuperados da surpresa, colocaram-se em posição de ataque. Trabalhando em
conjunto buscavam cercar seu oponente. Mas ele era veloz demais. Era difícil
focalizá-lo enquanto se movia.
Não sabia o que fazer para ajudar.
Nunca havia lutado na vida.
Enquanto tentava imitar os
movimentos de Robert o guarda passou por nós e imobilizou Alex. Em apenas um
segundo ele estava segurando sua cabeça entre as mãos. Não tive tempo para
pensar. Alex seria assassinato bem na minha frente. Precisava fazer alguma
coisa.
Em menos que um piscar de olhos eu
estava voando em direção ao guarda. Senti minhas mãos, dotadas de uma força
inumana, segurarem seus braços e libertarem Alex. Mas isso não bastava. Eu não
queria parar. Queria aquela criatura morta. Meus caninos tocaram seu pescoço
rasgando a carne, cortando tudo o que encontraram pela frente. Inicialmente
podia ouvir seus gritos de dor. Depois só restou o silêncio.
O tempo pareceu parar. Minha mente
ficou completamente vazia. Não conseguia dizer onde estava ou o que estava
acontecendo. Sentia algo pesado em minhas mãos, mas não queria ver o que era.
Voltei à realidade ao ouvir a voz suave de Alex enquanto se aproximava.
“Mel, meu amor, você
está bem? Posso me aproximar? Está tudo acabado agora!”
Por que ele estava sendo tão
cuidadoso? Por que precisava pedir permissão para se aproximar?
De repente, como num lampejo, toda a
ação anterior foi voltando a minha mente. Gritei horrorizada:
“AH, NÃO!”
Olhei para minhas mãos que seguravam
a cabeça de um vampiro. Eu havia feito aquilo! Matara alguém! E tinha gostado
disso! Comecei a tremer.
Alex se aproximou e retirou a cabeça
de minhas mãos. Depois me abraçou enquanto procurava me acalmar.
“Está tudo bem! Acabou! Estamos
livres!”
Comecei a falar com voz trêmula.
“Eu o matei! Arranquei sua cabeça.”
Alex começou a acariciar meus
braços.
“Mel, você não teve escolha...”
“Ele ia matar você.”
“Eu sei, meu bem. Você fez a coisa
certa.”
“Como matar alguém pode ser a coisa
certa a se fazer?”
Fiz aquela pergunta mais para mim
mesma. Alex pareceu perceber, pois não se preocupou em responder, apenas
continuou me abraçando.
Queria muito chorar. Sentia que se
movesse um músculo ficaria histérica. A sensação de prazer que senti quando
ataquei aquele vampiro estava me matando. Eu havia gostado! Meu Deus! Eu era um
monstro!
“Mel, meu amor, você precisa
respirar. Vamos! Bem devagar!”
Obedeci automaticamente, imersa em
meus pensamentos. Sentia-me aliviada por ter salvado Alex, mas também estava
miserável por ter me transformado em uma assassina. Também não conseguia
entender como fora capaz de tal feito. Desconhecia a força e a velocidade que
surgiram em mim.
“Mel?”
Alex me trouxe novamente a
realidade.
“Alex?”
“Precisamos sair daqui.”
Ele tinha razão, o perigo ainda nos
espreitava. Natália e Hellen ainda estavam desacordadas, então Robert e Sebastian
decidiram carregá-las.
Nunca fora tão difícil caminhar
pelos corredores daquele prédio. Outrora repletos de pessoas agora estavam
sombrios, um silêncio mortal nos envolvia.
À porta do laboratório de Sebastian
paramos. Ele tomou a frente e abriu a porta enquanto falava.
“Vamos começar por aqui. É onde se
encontra o maior número de corpos.”
Entrando pude contar nove macas,
precisávamos acabar com eles antes que pudessem nos atacar. A lembrança do
vampiro morrendo em minhas mãos fez com meu corpo se retesasse. Coragem!
Precisava seguir em frente! Não era hora para crises emocionais. Depois poderia
pensar no que fiz e tentar conviver com isso.
Natália e Hellen foram depositadas
no chão enquanto Alex as examinava.
“Ele interrompeu o fluxo de sangue
para o cérebro. Precisamos reanimá-las.”
Como ele sabia tudo aquilo? Parece
que todos ali eram gênios.
Em pouco tempo as duas estavam de
pé. Um pouco desorientadas, sem saber o que havia acontecido, mas vivas. Robert
explicou rapidamente os últimos acontecimentos enquanto pegávamos querosene e
espalhávamos sobre os corpos.
Alex interrompeu seus movimentos e
chamou nossa atenção.
“Eles voltaram.”
Hellen olhou-o surpresa.
“Como pode ter tanta certeza?”
“Posso ouvir passos do lado de fora.
Estão trazendo muitos com eles.”
Alex tinha razão. Também podia ouvir
os passos. Era capaz de ir além, havia corações batendo. Estavam trazendo suas
vítimas. Provavelmente umas quinze. Quantas pessoas inocentes destinadas a ter
um fim tão terrível!
Enquanto acabávamos de encharcar os
corpos tive a certeza de que não conseguiríamos completar o trabalho. Aqueles
corpos seriam os únicos que incendiaríamos. O cheiro de mofo e sangue ficava
cada vez mais forte, agora conseguia identificar algo mais, eles cheiravam a
madeira e rosas. Provavelmente era um odor agradável quando estavam limpos.
“Pai, precisamos sair daqui, eles
estão entrando.”
Ninguém questionou minha afirmação.
Com enorme velocidade nos posicionamos em frente às duas janelas existentes. O
plano era atearmos fogo e pularmos por elas.
Antes que Natália pudesse acender o
isqueiro ouvi duas vozes conhecidas.
“Quem são esses caras, Nic?”
“Sei lá. Mas são bem estranhos.”
“Não consigo imaginar uma equipe de
pesquisadores tão renomados se relacionando com esses tipos. Você viu as roupas
deles?”
Droga! Só faltava essa! Rômulo
pegara Nic e Catalina.
“Espere, Natália!”
Sua mão parou no ar e seu olhar se voltou
para mim.
“O que foi, Mel?”
“Eles pegaram Nic e Catalina. Vou
ter que tirá-los daqui.”
Ouvi Alex praguejar antes de falar.
“Não podemos ir lá agora.”
“Mas eles são meus amigo. Não vou
abandoná-los.”
“Então eu vou sozinho.”
“Nem pensar! Vão pegar você também.”
“Se formos os dois também poderemos
ser capturados.”
“Aí é que você se engana. Sou mais
rápida que eles, já provei isso.”
Não queria lembrar do meu ato como
assassina, mas não tinha outra forma de convencê-lo.
“Não gosto da idéia, você pode de
machucar.”
“Não vou deixá-los aqui.”
“Teremos que ser muito rápidos.”
“Eu consigo.”
Sabia que tinha vencido. Alex sabia
que tentaria o resgate com ou sem a sua ajuda.
“Natália fique preparada. Assim que
entrarmos novamente por aquela porta ateie fogo.”
Sebastian segurou meu braço.
“Mel, vou com você.”
Alex chamou-o a razão.
“Precisamos ser rápidos, se
estivermos em maior número isso nos atrasará.”
A expressão de meu pai era de
profundo desgosto.
“Não deixe que nada aconteça a ela,
Alex.”
Alex apertou sua mão e saímos para o
corredor.
Decidimos seguir para a sala da
segurança. As câmeras de lá nos mostrariam exatamente a posição de Nic e
Catalina.
Klaus entrou no prédio e conduziu a
todos para a recepção. Para nossa sorte Nic e Catalina ficaram próximos ao
corredor que dava acesso aos laboratórios.
“Mel, não vamos ter tempo para
explicações. Vamos ter que assustá-los.”
Concordei com um aceno de cabeça.
“Teremos que ser bem rápidos, eles
vão notar nossa presença de qualquer maneira.”
“Como vamos agir, Alex?”
“Simplesmente entraremos e pegaremos
os dois. Eu fico com o rapaz. Depois corremos o máximo possível. O elemento
surpresa estará a nosso favor.”
Enquanto corríamos em direção à
recepção nossos passos pareciam ecoar alto, não importava o quão leve
estivéssemos pisando.
Nic e Catalina nem viram o que os
arrebatou. Voávamos pelos corredores. Nossa vantagem era mínima, podia
sentí-los em nosso encalço.
Sem olhar para trás passamos pela
porta do laboratório e as chamas explodiram. Graças a Deus Natália estava a
postos.
Enquanto as labaredas subiam e
pulávamos pelas janelas meu olhar cruzou com o de Rômulo. Estranhamente sua
expressão era divertida.
Quando meus pés tocaram o chão pude
ouvir sua voz dentro de minha cabeça.
“Você não vai poder fugir
eternamente, Mel! Eu vou achá-la! Isso só torna o jogo ainda mais estimulante.”
sábado, 14 de janeiro de 2012
Mitos e lendas: PUBLICAÇÃO SEMANAL: CAPÍTULO 19Capítulo 19 – A ...
Mitos e lendas: PUBLICAÇÃO SEMANAL: CAPÍTULO 19
Capítulo 19 – A ...: PUBLICAÇÃO SEMANAL: CAPÍTULO 19 Capítulo 19 – A supremacia do mal Alex percebeu meu estado de espírito e segurou minha m...
Capítulo 19 – A ...: PUBLICAÇÃO SEMANAL: CAPÍTULO 19 Capítulo 19 – A supremacia do mal Alex percebeu meu estado de espírito e segurou minha m...
PUBLICAÇÃO SEMANAL: CAPÍTULO 19
Capítulo 19 – A supremacia do mal
Alex percebeu meu estado de espírito
e segurou minha mão sem fazer perguntas enquanto nos encaminhávamos para
cumprir nossa parte na investigação. Seu toque me acalmou um pouco, mas aquela
gargalhada não saía da minha cabeça, me aterrorizava.
Na parte de dentro não encontramos
nada, mas uma parte do perímetro externo ainda precisava ser verificada. Nos
encontramos na recepção para decidir o que seria feito.
“Mel, você não vai participar desta
busca.”
“Mas, pai...”
Antes
que pudesse tentar argumentar Alex segurou minha mão e tomou o partido de
Sebastian.
“Ele tem razão, Mel. Falta pouco
para o amanhecer, seria arriscado expô-la dessa maneira.”
Fiz cara feia, mas acabei
concordando. Ficar ao sol ainda não era uma boa idéia para mim.
Ficar ali sozinha foi quase uma
tortura. Os minutos pareciam se arrastar e era frustrante não saber o que
estava acontecendo, não poder participar da ação. Quando Robert passou pela
sala apressado soltei um suspiro de alívio enquanto o bombardeava com
perguntas.
“Acharam alguma coisa? Onde estão os
outros? Por que não voltaram com você? Cadê o Alex?”
Robert sorriu e pousou sua mão
suavemente sobre meu ombro.
“Calma garota, uma pergunta de cada
vez.”
Concordei com um aceno de cabeça enquanto
sorria envergonhada.
“Encontramos algo surpreendente! Jamais
pensei que fosse possível.”
Enquanto ele fazia uma pausa minha
mente fervilhava de curiosidade.
“Não encontramos corpos, mas
vampiros vivos. Dá pra acreditar nisso?”
“Como assim?”
“Alex sentiu um cheiro diferente e
seguimos por uma trilha que nos levou a um casebre abandonado e eles estavam
lá, os corpos voltaram à vida. Não sei explicar como, só sei que estão muito
debilitados, precisando de cuidados e não podem sair ao sol. Impressionante,
não?”
Não sabia exatamente o que pensar,
mas podia sentir uma onda de medo invadir meu corpo. Os corpos estavam vivos?
Quem eram essas criaturas? Provavelmente muito mais poderosas do que nós, mas
será que tinham boas intenções?
“Alex e Hellen foram providenciar
sangue, eles precisam se alimentar. Sebastian e Natália ficaram com os
vampiros. Estão tentando se comunicar melhor. Eu vim avisá-la e preparar
transporte adequado para trazê-los para cá ao cair da noite. Vão precisar de
maiores cuidados.”
“Posso ajudar?”
“Claro! Quatro mãos trabalham melhor
que duas.”
Preparamos duas caminhonetes para o
transporte e depois esperamos. Quando o sol finalmente se pôs nos colocamos a
caminho.
Minha caminhonete seguiu logo atrás
da de Robert. Precisávamos ir devagar, com as luzes desligadas, evitando chamar
a atenção. Não demorou muito para avistarmos o casebre. Estacionamos e seguimos
em direção à porta.
Estava muito quieto. Não conseguia
escutar sequer uma voz conhecida.
“Robert, você não está achando este
silêncio esquisito?”
Ele apenas parou e virou-se para mim
com um dedo nos lábios. Entendi a mensagem e fiquei quieta para tentarmos
captar algo, mas não havia nada, apenas um cheiro diferente misturado com o
forte aroma de sangue fresco.
“Fique aqui, Mel. Vou entrar
primeiro e ver o que está acontecendo.”
Pensei em protestar, mas era perda
de tempo. Era melhor alguém ver logo o que se passava lá dentro.
Robert entrou e permaneceu lá. O
tempo passou e comecei a ficar impaciente. Finalmente não agüentei mais o
suspense e resolvi ver pessoalmente o que havia no interior daquele lugar.
O casebre estava praticamente caindo
aos pedaços. Era bem antigo e fora completamente abandonado, o que era um crime
levando-se em conta seu valor histórico. Meu Deus! Eu devia ter realmente algum
problema muito sério no cérebro. Estava prestes a encontrar vampiros milenares
e meus pensamentos eram sobre patrimônio histórico? Foco! Pensei comigo mesma.
Concentre-se no que está lá dentro!
Coloquei o pé na soleira da porta
com insegurança, deixando meus olhos se acostumarem com o ambiente. Era uma
sala pequena e completamente vazia, com pedaços da parede caídas ao chão.
“Alex? Pai? Onde vocês estão?”
Mas nenhum som veio em resposta.
Senti que minha respiração se acelerava. Algo estava muito errado. E aquele
cheiro, sangue misturado com mofo e algo que não conseguia descrever, era cada
vez mais forte ali.
Eu precisava dar o passo seguinte. Meus
pés tocaram o assoalho e a madeira rangeu. Dei um pulo. Não estava gostando daquilo.
Havia uma porta logo à frente. Segui
em sua direção e fiquei imóvel diante da cena que se descortinava diante de
meus olhos.
Corpos empilhados. Sebastian,
Natália, Hellen, Alex e, no topo Robert. Forcei meus músculos a se moverem e me
aproximei. Antes que pudesse tocá-los percebi um movimento às minhas costas. Dois
vultos se posicionaram barrando a saída enquanto ouvia passos se aproximando.
Não tinha coragem para me virar e
encarar seja lá o que estivesse ali . Segurei a respiração para controlar o
pânico e tentar não demonstrar fraqueza.
Uma voz melodiosa cortou o silêncio.
O mesmo sussurro que costumava ouvir em meus delírios, só que agora alta e
clara.
“Cara Melissa, finalmente chegou a
hora de nos conhecermos.”
E agora? Definitivamente era demais
para mim. Não consegui entender o que estava acontecendo. Foco! Precisava me
concentrar nos meus amigos inconscientes. Tinha que saber o que estava
acontecendo.
Virei-me abruptamente para não
perder a coragem enquanto analisava a figura à minha frente. O cheiro de mofo
vinha das roupas que praticamente se desfaziam em seu corpo e o sangue de
manchas na mesma. Provavelmente os outros dois encontravam-se em situação
semelhante, mas não queria desviar o olhar para verificar.
O homem que via, ou melhor vampiro,
não lembrava em nada o cadáver ressequido na maca do laboratório há algumas
horas atrás. Sua pele era bonita, muito pálida, mas completamente jovem e bem
cuidada. Seu cabelo loiro caía nos ombros já completamente regenerado. Tinha
feições refinadas, nariz aquilino, queijo pontudo e olhos negros como a noite.
Se portava como um rei, conforme mexia a mão era possível perceber o brilho do
anel em seu dedo.
“Não pode ser.”
Sussurrei enquanto observava. Ele
soltou uma gargalhada.
“Não precisa ficar espantada. Aconteceu
exatamente o que estava previsto. Nossa hora chegou.”
“Como assim? E o que aconteceu com
eles?”
“Vamos por partes, minha querida.
Primeiro gostaria de lhe agradecer por nos trazer de volta, só você poderia ter
feito isto.”
“Mas eu não fiz nada.”
“Você existiu e veio até mim. Ouviu
meu chamado. Depois seu sangue restituiu a vida.”
“Era você o tempo todo! Mas como?”
“Eu posso entrar em sua mente,
colocar meus pensamentos aí. Você nasceu para nos libertar, para se unir a nós
em nossa vingança.”
“Que história é essa? Eu nem sei
quem você é? Só quero saber o que aconteceu a eles!”
“Que indelicadeza a minha, ainda não
me apresentei. Sou Lorde Rômulo Ândracas, o primeiro dos originais e seu futuro
esposo.”
“Meu futuro esposo? Você é pirado,
certo? Os anos de isolamento fizeram com que enlouquecesse? O que fez com
eles?”
“Calma, minha querida!”
“Não sou sua querida!”
“Certo, vejo que a ansiedade por
seus amigos a está deixando irritada. Melhor esclarecer a questão. Chegue mais
perto e verá que eles estão apenas desacordados.”
Aproximei com cautela não querendo
dar as costas a aquele maluco, mas louca para ter certeza de que ele falava a
verdade. Soltei um suspiro de alívio.
“Satisfeita agora?”
“Mas por que? Como? Vocês são apenas
três!”
“Sim, somos apenas três, mas somos
mais fortes e experientes, por isso nem pense em resistir. Apenas acabamos com
a oposição. Quando o sangue que nos foi dado recobrou nossas forças tentei
fazê-los aliados, incluí-los em nossos planos para a humanidade, mas recusaram.
Quando toquei em seu nome ficaram enfurecidos, então eu e meus amigos tivemos
de imobilizá-los.”
Suspirei aliviada. Pelo menos não
estavam mortos. Agora precisava encontrar um meio de lidar com esses malucos e
tirar todos dali.
“Seus planos não vão funcionar,
Melissa. A única maneira de sair daqui com seus amigos vivos é ao meu lado,
como minha companheira.”
Então
este era o motivo de eles ainda estarem vivos: pura chantagem.
“Mas isto é absurdo! Eu não posso
ser forçada a nada, estamos no século XX. Além do mais, vocês já tem o que
querem: estão vivos, nem sei porque não usaram qualquer um para escapar.”
“Você não leu as profecias, criança?
Só o sangue puro poderia nos libertar, ou seja, o seu sangue.”
“Que conversa é essa sobre sangue
puro?”
“Nós somos puros, não fomos
transformados, mudamos naturalmente. Só outro puro poderia nos libertar. Você
terá poderes inimagináveis e deve uni-los aos meus para que possamos estender
nosso domínio pelo mundo.”
“Há, há, há! Eu sequer tenho todos
os poderes de um vampiro normal ainda e você acha que sou especial? Estou mais
para aberração. Eu não vou me unir a ninguém!”
Com um gesto de cabeça de Rômulo os
dois vampiros saíram de suas posições e levantaram um inconsciente Robert.
“Uma ordem minha e a cabeça de seu
amigo será arrancada. Posso fazer isso com todos eles! Venha comigo e serão
poupados.”
Analisei minhas opções. Não
conseguiria parar aqueles dois a tempo. Robert estaria condenado se eu
resolvesse lutar. Não fazia a menor idéia de como derrubar três vampiros super
fortes e ao mesmo tempo retirar todos com vida dali.
Olhei para Rômulo, ele esperava com
a mão estendida.
Olhei novamente para a pilha e vi o
rosto de Alex. Precisava ganhar tempo, encontrar um meio de escapar.
“O que me garante que não vai
matá-los se eu concordar?”
“Dou minha palavra de que serão
mantidos apenas como prisioneiros.”
“Em que condições?”
“Vivos e sem torturas.”
Parecia que era o melhor acordo que
conseguiria.
“Por que confiaria em sua palavra?”
“Minha querida, venho de uma época
em que a palavra vale mais do que a própria vida”
Ignorei sua mão estendida e tomei
lugar ao seu lado.
“Quando chegarmos a nosso destino
quero verificar se eles estão bem. Aliás, gostaria de saber para onde serei
levada.”
“Você nos levará a nossos irmãos. Precisamos
trazê-los a vida.”
Meu Deus! Ele queria ressuscitar mais
vinte e nove vampiros? Precisava impedir tal feito! Tinha que pensar em algo e
urgente...
sábado, 7 de janeiro de 2012
Mitos e lendas: PUBLICAÇÃO SEMANAL: CAPÍTULO 18Capítulo 18 – A ...
Mitos e lendas: PUBLICAÇÃO SEMANAL: CAPÍTULO 18
Capítulo 18 – A ...: PUBLICAÇÃO SEMANAL: CAPÍTULO 18 Capítulo 18 – A ressurreição Em poucos segundos Alex estava me ajudando a levantar. Reso...
Capítulo 18 – A ...: PUBLICAÇÃO SEMANAL: CAPÍTULO 18 Capítulo 18 – A ressurreição Em poucos segundos Alex estava me ajudando a levantar. Reso...
PUBLICAÇÃO SEMANAL: CAPÍTULO 18
Capítulo 18 – A ressurreição
Em poucos segundos Alex estava me
ajudando a levantar. Resolvi olhar ao redor. A escuridão naquele lugar era tão
densa que parecia ser capaz de envolver até mesmo a luz. Demorou um pouco para
que meus olhos se acostumassem, a essa altura todos já haviam descido.
Soltei um suspiro de decepção.
Estava esperando uma grande descoberta, algo que nunca vira antes, mas era
apenas um corredor apertado, escuro e embolorado. Parecia que nunca chegaríamos
a lugar algum. Até quando continuaríamos procurando?
Senti Alex se aproximar para
sussurrar em meu ouvido.
“Eu sei que pode ser frustrante, mas
tenha paciência. Grandes tesouros geralmente estão muito bem escondidos.”
Então seus lábios roçaram minha
orelha e fiquei toda arrepiada. Toda a impaciência desapareceu, só queria estar
mais perto dele.
Não precisamos caminhar muito para
encontrarmos uma pesada porta de ferro aparentemente muito reforçada que não
combinava com o local. Nela também havia inscrições que Natália imediatamente
começou a analisar.
“É na mesma língua das inscrições
anteriores, vai ser moleza.”
Este comentário animou a todos. Aguardamos
em silêncio para deixá-la se concentrar.
“Pronto. Querem saber o que diz?”
Disse em tom de suspense.
“Por favor!” Respondemos em coro.
“Aos que chegaram até aqui cabe um
último aviso: voltem sem abrir esta porta, pois esta encerra grande mal.”
Foi Sebastian quem se pronunciou:
“Só isso? Nenhum enigma para
resolvermos?”
“Sinto desapontá-lo, mas é só o que
diz.”
“Então vamos tentar abrir.”
Por um segundo pensei em pedir que
parássemos, poderíamos simplesmente escutar o aviso e ir embora, mas com
certeza era mais uma loucura da minha cabeça. Fiquei observando enquanto
Sebastian e Alex trabalhavam para arrastar a pesada porta.
Desta vez não houve nenhum
empecilho. Em poucos instantes a porta estava aberta e um ar pútrido saía de
dentro da câmara a nossa frente.
Fui a última a entrar. Estava tendo
uma pequena onda de pavor e precisei recuperar o controle primeiro.
O
que meus olhos viram me deixou realmente assustada. Era uma espécie de sala com
vários buracos feitos nas paredes e estacas de madeira servindo de grades para
fechar tais buracos, o chão também estava forrado dessas mesmas estacas. De
dentro dos buracos era possível ver pender mãos e braços ressequidos, a pele e
a carne morta deixando transparecer os ossos. Nunca havia visto algo assim. Não
sabia se queria chegar mais perto.
Pude
ouvir Sebastian e Alex conversando animados.
“Precisamos
remover as estacas para ter uma real idéia do que aconteceu aqui.”
“Mas
tem que ser feito com muito cuidado. Esta câmara parece ser uma grande
armadilha para vampiros.”
“Quantos
foram confinados aqui?”
“Ao
que parece muitos! E foram deixados aqui ainda vivos.”
“Sim,
foram abandonados para morrer de fome.”
Aquilo
fez com que me sentisse enojada. Que tipo de criatura merecia ser trancada para
morrer desta maneira? Ficar apenas ali esperando pelo fim? Ou pior, que tipo de
criatura seria capaz de entregar outros a um destino tão cruel assim?
Sebastian
arrancou-me de meus pensamentos:
“Você
está bem?”
“Estou.
Só um pouco surpresa com tudo isso.”
“Certo,
é normal ficar um pouco assustada.”
“Não
estou assustada.”
“Ok,
então será que pode nos ajudar?”
“Como?”
“Precisamos
remover as estacas, colocá-las do lado de fora. São muitas. Vamos precisar
trabalhar em equipe.”
Foi
um trabalho árduo, pois era necessário que fosse realizado com extremo cuidado
ou nos machucaríamos. Enfim todas as estacas do chão foram removidas. Era hora
de liberarmos as entradas dos buracos. Antes que pudéssemos iniciar o trabalho
Alex decidiu dar mais uma olhada no lugar.
“É
preciso tomar muito cuidado. Este tipo de lugar pode guardar armadilhas. Por
favor, fiquem atentos.”
Parece
que ele estava adivinhando, pois quando Natália retirou uma estaca que estava
no buraco mais alto uma imensa tora saiu de uma parede balançando
ameaçadoramente em nossa direção. Alex me jogou no chão enquanto Sebastian
pulava sobre Natália e ficávamos observando a madeira imensa balançar de um
lado para o outro da sala.
Ficamos
deitados no chão esperando que a tora perdesse força. Por sorte ninguém foi
atingido, pelo menos não gravemente. O braço de Natália estava sangrando, mas
era só um arranhão.
Quando
finalmente pudemos levantar, os homens retiraram a tora da câmara e fomos fazer
a contagem dos corpos. Não eram tantos quanto imaginávamos. A maioria dos
buracos estava vazia, como que para confundir invasores. Ao todo eram trinta e
dois.
Sebastian
disse que precisava retirá-los dali e levar para o laboratório para determinar
sexo, condições da morte, estado de conservação em que estavam e outros
procedimentos que pudessem nos revelar
suas histórias.
Começamos
a remover as estacas que serviam como grades. Não queria olhar diretamente para
os corpos. Eles me deixavam nervosa.
Quando
estava retirando as estacas do ponto mais alto da câmara percebi que uma delas
não saía com facilidade. Coloquei um pouco mais de força e senti algo voar
sobre minha cabeça. Não consegui ver o que era. Sebastian e Natália começaram a
gritar:
“CUIDADO!”
Em
poucos segundos Alex se jogava sobre mim e estávamos dentro do buraco do qual
estava retirando as estacas.
O
cheiro ali dentro era ainda pior. Sabia que estava tocando tecido morto, aquilo
me deixou paralisada. Permaneci de olhos fechados. Podia ouvir o ar ser cortado
por algo muito rápido. Mesmo sem reconhecer o que era tinha certeza de que
oferecia grande perigo. Aos poucos percebi que meu corpo tremia de medo. Minha
voz saiu entrecortada:
“Alex,
o que está acontecendo?”
“Acho
que você acionou outra armadilha.”
“O
que voou sobre a minha cabeça?”
“Uma
flecha de madeira, Mel. Elas estão surgindo de todos os lados. É melhor
ficarmos aqui por enquanto.”
Não
estava gostando de ficar presa naquele buraco. Era como se também estivéssemos
sendo enterrados vivos. Para piorar aquele cadáver fedia muito e eu podia
sentir seus ossos por todo meu corpo.
“Alex!”
“Mel?”
“Não
estou gostando disso.”
“Eu
sei! Mas precisamos esperar. Uma hora as flechas terão que acabar.”
“Não
estou me referindo às flechas!”
“Do
que você não está gostando então?”
“Tem
um cadáver sob mim!”
“Hum!
Ok! Vamos tentar trocar de posição então.”
O
buraco era muito apertado. Enquanto lutávamos para inverter as posições senti
que os ossos embaixo de nossos corpos se partiam.
“Você
acha que Sebastian vai ficar muito bravo por estarmos destruindo um de seus
objetos de pesquisa?”
Ouvi
meu pai gritar de algum lugar mais abaixo.
“Eu
escutei, viu? Tome mais cuidado!”
Fiz
uma careta e fiquei parada. Alex continuou a se mexer.
“Vamos,
Mel! Você precisa ajudar um pouco mais. Depois veremos o que pode ser feito
para consertar os estragos.”
Quando
estava sobre o corpo de Alexander meus músculos relaxaram. Ele começou a traçar
círculos suaves em minhas costas, soltei um suspiro de prazer que logo foi
interrompido por Sebastian:
“Não
é hora para namorar. Precisamos dar um jeito de sair daqui. Alguma idéia,
Alex?”
“Deve
haver algum dispositivo que desative a armadilha, mas não dá para fazer nada
daqui e cima. Mal conseguimos nos mexer.”
Ouvimos
a voz de Natália:
“Estou
posicionada mais abaixo, posso chegar ao chão com facilidade.”
“Ótimo.
Saia de onde está, mas tome o máximo de cuidado, e tente deitar no chão da
câmara.”
Houve
um instante de silêncio e logo voltamos a ouvir sua voz:
“Ok!
Estou posicionada!”
“Tente
visualizar todo o ambiente. Procure por alguma reentrância diferente dos
buracos nos quais estamos.”
“Certo,
vou tentar.”
Dessa
vez o silêncio foi maior.
“Alex,
estou procurando, mas parece não haver nada. Espere! Tem algo aí em cima. Está
há uns três buracos de onde vocês estão.”
“Obrigado,
Natália. Vou ter que assumir daqui. Fique onde você está.”
“Ok.”
Alex
voltou o azul de seus olhos para mim.
“Mel,
preciso sair.”
“Você
está louco? Tem flechas voando lá fora, sabia? Você vai se machucar!”
“Precisa
confiar em mim, Mel. Se não desativar a armadilha podemos ter que ficar aqui
por horas.”
“Por
mim tudo bem! Posso ficar horas aqui com você.”
Sebastian
resolveu interferir.
“Mel,
deixe de ser criança. Alex precisa sair.”
“Mas
ele vai se machucar.”
“Ele
já é bem grandinho, sabe se cuidar.”
“Então
vou junto.”
Alex
me olhou perplexo.
“Você
perdeu o juízo?”
“Igual
a você. Ou paramos isso juntos ou ficamos aqui esperando que as flechas acabem.
Se é que elas vão acabar. Pode ser que haja algum mecanismo de realimentação.”
Alex
suspirou resignado.
“Está
bem. Mas você vai fazer exatamente o que eu disser.”
“Ok.”
Eu
iria com ele. Poderia concordar com a parte de obedecer as suas ordens.
“Mel,
você vai ter que sair primeiro.”
Comecei
a me mexer para ficar mais próxima da saída. Senti uma mão cadavérica tocar
minha perna. Aquilo era realmente horrível!
“O
que eu faço quando sair?”
“Você
vai precisar ser mais rápida que as flechas e pular para o buraco ao lado.
Quando chegar lá se coloque em uma posição que me permita entrar também.”
Virei-me
devagar e coloquei minha cabeça próxima da saída. Olhei para fora. As flechas
não paravam de zunir. Eram muito rápidas. Por um momento pensei que não
conseguiria. Mas precisava fazer aquilo, não podia demonstrar fraqueza agora.
Impulsionei
meu corpo com toda força que possuía e me colei a parede ao meu redor, agarrada
as pequenas reentrâncias que nela haviam. As flechas passavam lambendo minha
pele. Uma se enroscou em meu cabelo. Dei mais um impulso e pulei para dentro do
buraco ao lado.
“Ufa!”
Eu
havia conseguido. Para minha sorte o buraco estava vazio. Mal tive tempo de
respirar e Alex já estava agachado ao meu lado.
“Como
você conseguiu ser tão rápido?”
Ele
deu um sorriso zombeteiro.
“Anos
de prática...”
Seu
olhar observador retirou a flecha presa em meu cabelo. Eu dei um sorriso sem
graça enquanto observava sua expressão se fechar.
“Não
foi nada...”
“Mas
poderia ter sido... A partir de agora sigo sozinho.”
“Não
foi isso que combinamos.” Falei insatisfeita.
“No
entanto é assim que vai ser. Mel, não vou arriscar sua segurança.”
Não
haveria argumento no mundo para convencê-lo. Ele acabou seguindo sozinho e eu
fiquei espionando.
As
flechas passavam muito perto, mas Alex era sempre mais rápido. Em poucos
segundos estava no lugar que Natália encontrou. Suas mãos ágeis entraram na
reentrância, houve um estalo e as flechas cessaram.
Saímos
de nossos esconderijos para encontrar um chão totalmente recoberto por madeira.
Alex enlaçou minha cintura e me deu um beijo estalado. Sebastian perguntou:
“Estão
todos bem?”
Como
assentimos com a cabeça ele passou a inventariar os estragos feitos no local.
Para nossa sorte parecia que o único corpo a ser danificado foi o que estava
sob mim e Alex.
A descoberta precisava ser mantida em segredo,
afinal estávamos falando de cadáveres vampiros. Tivemos então que nos dividir.
Sebastian e Alex ficaram no local para cuidar da retirada e transporte dos corpos
e Natália e eu fomos para o laboratório cuidar que não houvesse humanos no
local e mandar os demais vampiros para ajudar com o equipamento necessário.
Foi
um trabalho demorado. Quando todos os corpos foram transportados para o
laboratório estávamos todos nos sentindo cansados, se é que isso fosse possível.
Saímos em grupos para cuidar melhor da nossa alimentação e depois todos
retornaram ao trabalho.
Não
havia muito o que eu pudesse fazer. Essa era uma tarefa para peritos. Fiquei
andando de uma sala à outra prestando algum auxílio, mas já estava começando a
ficar entediada. Queria passar algum tempo com Alex, mas não podia pedir isso a
ele. Resolvi ver se ele precisava de alguma ajuda.
Alex
ficou feliz em me receber, seu sorriso radiante
demonstrava isso. Coloquei-me a
um canto da sala e procurei não atrapalhar. Era fascinante observá-lo
trabalhar, ficava ainda mais bonito. Só desviava o olhar por alguns segundos
para encontrar o meu, depois ficava totalmente concentrado novamente. Seus
olhos nunca perdiam o foco e a forma como retirava o cabelo da testa enquanto
pensava era encantadora. Estava tão absorta em meus pensamentos que a voz suave
de Alex fez meu coração acelerar.
“Mel,
pode me ajudar aqui?”
“O
que?”
“Pode
me ajudar?”
“Ah!
Sim! O que eu posso fazer?”
“Primeiro
chegue mais perto. É só um cadáver, não vai te atacar...”
Fui
me aproximando devagar. Conscientemente eu sabia que não havia perigo, mas algo
naqueles corpos me deixava apavorada, especialmente este que Alex estava
analisando agora.
Ele
era diferente dos demais. As primeiras análises revelavam que era do sexo
masculino. Por ser um vampiro não podiam precisar sua idade, só era possível
dizer que teve seu envelhecimento interrompido por volta dos 29 anos. Era maior
que os demais, possuía cabelos compridos e caninos muito grandes. Vestia roupas
luxuosas. Era possível identificar tecidos finos pintados a mão e recobertos de
ouro. Trazia um grande anel na mão esquerda. Alex disse que era um símbolo de
poder. Provavelmente ele deveria ter sido o chefe de um clã.
“Mel,
gostaria que você me ajudasse, mas antes preciso saber se consegue realizar a
tarefa.”
“Então
me diga o que preciso fazer.”
“O
peito dele está incrustado de pequenos dardos de madeira, preciso que segure a
pele enquanto os retiro com a pinça.”
Teria
que colocar a mão naquilo? Senti meu estômago revirar, mas não queria
demonstrar fraqueza.
“Só
me mostre como e eu ajudarei.”
Alex
não perdeu tempo. Mostrou-me como deveria posicionar as mãos e se virou para
pegar a pinça.
Não
queria olhar para o que teria que fazer. Fui me aproximando com os olhos
focados na parede. A pele não era agradável de tocar, estava completamente
ressequida, parecia que iria quebrar ao toque.
“Seja
delicada, Mel. O corpo está muito deteriorado.”
Como
se fosse fácil lembrar de ser delicada em tal situação! Concentrei-me ao máximo
para não fazer nenhuma besteira.
No
início até que não foi tão difícil, mas conforme Alex retirava os dardos
comecei ter a impressão de que a pele se mexia sob minhas mãos, como se o
tecido estivesse respirando. Senti uma enorme vontade de sair correndo, mas
mantive o controle.
O
clima estava tenso e meu desconforto era grande. Tive a nítida impressão que um
dos braços se moveu. Dei um grito e retirei as mãos com um pulo, meu movimento
pegou Alex de surpresa e a pinça que estava em suas mãos acabou cravada em
minha mão direita.
Enquanto
o sangue escorria sobre o cadáver Alex recuperou-se da surpresa e me arrastou
para uma cadeira.
“Desculpe,
Mel. Não sei como isso foi acontecer.”
Ele
estava transtornado. Não consegui entender o motivo, nem estava doendo.
“Tudo
bem, a culpa foi minha, me assustei e agi sem pensar.”
“Não
devia ter pedido para que me ajudasse. Deixe-me ver sua mão.”
“Vocês
precisam parar de me tratar como uma inútil sabia? Apenas levei um susto. Sou
perfeitamente capaz de ajudar!”
Ele
decidiu não discutir comigo. Pegou minha mão e retirou a pinça. A cicatrização
começou imediatamente. Em pouco segundos era como se nada houvesse acontecido.
“Viu?
Não foi tão grave assim.”
“Mesmo
assim a feri.”
Alex
estava muito chateado com a situação. Impulsivamente o abracei. Fogo surgiu
entre nós e começamos a nos beijar, esquecidos de tudo ao nosso redor. Nem
vimos Natália entrar.
“Humhum!
Acho que os dois pombinhos estão precisando de uma folga, tomar um ar fresco...”
Olhamos
para ela surpresos. Eu estava envergonhada.
“Não
adianta discutir, vão dar uma volta. Todos nós vamos. Estamos famintos e
precisando mudar de ares. Ordens de Sebastian. Vocês tem duas horas.”
O
tempo pareceu voar. Mal conseguimos chegar até a casa de Alex e consumirmos um
pouco do que havia no freezer e o celular já nos avisava que precisávamos
voltar. Acabamos nos atrasando, pois não resistimos a namorar no caminho.
Quando chegamos todos estavam nos esperando na entrada do laboratório
agitadíssimos.
Foi
Sebastian quem se pronunciou:
“Onde
vocês estavam?”
“Espera
aí, pai! Não estamos tão atrasados assim.”
“Vinte
e seis minutos para mim já é um grande atraso.”
Alex
decidiu tomar a frente.
“Calma.
Sebastian! Estamos aqui. O que aconteceu?”
“Eles
sumiram.”
“Quem
exatamente são “eles”?”
“O
corpo que você estava trabalhando mais dois em que eu estava.”
“Como
assim sumiram?”
“Não
sei. Eles simplesmente desapareceram.”
“Sebastian,
cadáveres não desaparecem! É impossível!”
“Eu
sei, mas quando chegamos não havia nem vestígio deles.”
“Alguém
deve ter entrado em nossa ausência. Fomos roubados!”
“Não
havia sinal de arrombamento. As portas estavam trancadas e o alarme ligado.”
“Algum
funcionário pode ter voltado e ficado curioso com o que encontrou?”
“Se
isso fosse verdade ele precisaria de macas para carregar os corpos e de
transporte. Nada está fora do lugar e não há marcas de pneu na estrada.”
“É
melhor nos dividirmos para investigar. Mel e eu vamos ver as salas onde os
corpos estavam novamente, ainda não estivemos lá e podemos ver algo que tenha
passado despercebido. Sebastian e Natália podem vasculhar o exterior, ver se
existe algum sinal de que alguém além de nós esteve aqui. Os demais podem
verificar se algo sumiu do laboratório.”
Todos
concordaram. Então saímos para investigar.
Enquanto
todos assumiam seus postos, eu pude ouvir uma gargalhada de satisfação.
“Finalmente
livres! Melissa, você conseguiu.”
Tentei
disfarçar o tremor. Olhei ao meu redor e percebi que ninguém mais havia ouvido.
Eu realmente era maluca, não tinha outra explicação.
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