domingo, 12 de fevereiro de 2012

DEPOIS DO CARNAVAL COMEÇAREI A POSTAR O SEGUNDO VOLUME DE HERANÇA DE SANGUE. AGUARDEM...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Mitos e lendas: PUBLICAÇÃO SEMANAL: ÚLTIMO CAPÍTULO DO VOLUME I...

Mitos e lendas: PUBLICAÇÃO SEMANAL: ÚLTIMO CAPÍTULO DO VOLUME I


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: PUBLICAÇÃO SEMANAL: ÚLTIMO CAPÍTULO DO VOLUME I Capítulo 21 – O vôo Ver as luzes de Bucareste foi um alívio. No entanto ...
PUBLICAÇÃO SEMANAL: ÚLTIMO CAPÍTULO DO VOLUME I


Capítulo 21 – O vôo

            Ver as luzes de Bucareste foi um alívio. No entanto não poderíamos ir direto para o aeroporto nas condições em que nos encontrávamos.
            Natália propôs que fizéssemos uso de uma pequena hospedaria. Todos concordaram. Enquanto nos registrávamos ela saiu para providenciar roupas limpas, as nossas estavam em estado lamentável.
            Nic e Catalina começaram a sair do estado de choque em que se encontravam. Não sabia o que dizer a eles. Decidi pedir ajuda a Sebastian.
            “Pai, o que vamos fazer com eles?”
            “São humanos, Mel, não poderão vir conosco.”
            “Mas se os deixarmos aqui  acabarão morrendo.”
            “Se vierem conosco vão nos atrasar.”
            “Não podemos simplesmente abandoná-los. Dessa forma parece que os salvamos para depois entregá-los novamente.”
            Alex enlaçou minha cintura enquanto colocava seu ponto de vista.
            “De certa forma ela tem razão, Sebastian. Seria cruel abandoná-los a própria sorte.”
            “O que você sugere?”
            “Vamos levá-los conosco, ao menos até decidirmos exatamente o que faremos. Não precisamos exatamente nos explicar. Podemos hipnotizá-los.”
            Fiquei olhando de um para outro enquanto falavam, sem saber exatamente o que pensar.
            “Pai, Alex, hipnose? Estaríamos tirando deles o livre arbítrio.”
            Alex apertou ainda mais minha cintura.
            “É o único jeito, Mel. Não podemos revelar a eles a verdade. Não temos tempo para explicações.”
            “Ok. Por hora pode ser.”
            Não deixaria meus amigos sem proteção. No entanto, assim que fosse possível libertaria suas mentes e lhes contaria a verdade. Seria um choque, mas eles tinham o direito de decidir o que fariam com suas vidas.
            Hellen e Catalina dividiriam o quarto. Assim ela poderia controlar sua mente. Robert se encarregaria de Nic. Bati o pé para ficar com Alexander, mas Sebastian estava irredutível. Acabei dividindo o quarto com Natália.
            Não tínhamos intenção de pernoitar. Sebastian pagou nossas diárias adiantadas e fomos nos preparar para partir. Despedi-me de Alex com um beijo e entrei no quarto.
            Era uma hospedaria simples. O quarto era recoberto com um papel de parede verde, o chão era de madeira escura, havia duas camas, uma ao lado da outra, e uma TV colocada em suporte de teto. Pelo menos tínhamos um banheiro.
            Como Natália ainda não havia retornado entrei no chuveiro. Quanto antes estivéssemos prontos melhor. A água caindo sobre a minha pele não teve o efeito desejado. Meus músculos continuavam tensos. As últimas palavras de Rômulo ecoavam dentro da minha cabeça. Ele havia feito uma promessa: iria me caçar.
            Ouvi quando Natália entrou no quarto. Rapidamente desliguei o chuveiro, sequei o corpo e saí do banheiro.
            Ela estava parada em frente à janela. Seus cabelos, completamente desalinhados devido aos últimos acontecimentos, lhe davam um ar selvagem. Senti um aperto no peito. Ela tinha sido minha primeira amiga na Romênia! Agora estava condenada à morte! Todos nós estávamos!
            Lentamente Natália se voltou para me olhar enquanto abria um pequeno sorriso. Provavelmente tentava demonstrar tranqüilidade.
            “Mel, as coisas nem sempre são tão ruins quanto parecem.”
            “Você pode ter razão. No entanto elas também podem ser ainda piores.”
            Nenhuma palavra no mundo conseguiria me tranqüilizar. Natália percebeu isso.
            “Certo, vamos precisar esperar para ter uma visão real da nossa situação.”
            Concordei com um aceno de cabeça.
            “Trouxe roupas descentes para você. Enquanto se arruma vou dar um jeito nesse cabelo.”
            Abri uma sacola que estava em cima da cama e encontrei um vestido preto e um casaco bege elegantíssimo. Para completar o conjunto uma bota de cano alto e altos finos juntamente com meias e lingerie pretas. Natália havia enlouquecido! Não saberia sequer andar com aquelas botas.
            Paciência! Aquilo era tudo que tinha no momento. Vesti as roupas, fiz uma trança nos cabelos e me recusei a olhar no espelho.
            Quando Natália saiu do banho soltou um assobio ao meu olhar.
            “Garota, você está deslumbrante.”
            Apenas fiz uma careta. Não me sentia deslumbrante e sim completamente desajeitada dentro daqueles trajes tão elegantes.
            Encontramo-nos todos no saguão da hospedaria e chamamos táxis para o aeroporto. Estavam todos excepcionalmente bem arrumados. Ao que parece Natália havia se divertido fazendo compras.
            Alexander era o mais lindo de todos. Vestia uma calça preta que lhe caía perfeitamente. A blusa de gola alta azul combinava perfeitamente com seus olhos e marcava seus músculos. Quando saímos completou o conjunto vestindo um casaco de couro. Senti uma vontade imensa de me jogar em seus braços, mas acabei me contentando em segurar sua mão. Isso era frustrante!
            Quando entramos nos veículos Alex passou o braço sobre meu ombro enquanto sussurrava em meu ouvido:
            “Você está linda.”
            Teria corado de vergonha, se pudesse. Entretanto, somente encostei minha cabeça em seu peito e inalei seu perfume inebriante.
            Josh já nos esperava na entrada do aeroporto. Certamente Sebastian já o havia colocado a par de toda a situação. Trazia uma maleta nas mãos e nos conduziu para dentro.
            “Sebastian, meu amigo, fico feliz que todos estejam bem.”
            “Eu também, meu amigo. Passamos por alguns momentos difíceis. Conseguiu tudo o que precisamos?”
            “Mas é claro. Estou sempre preparado, nunca sabemos quando uma mudança de identidade será necessária.”
            “E as contas bancárias?”
            “Tudo em ordem. O dinheiro já foi transferido.”
            Sebastian lhe deu um sorriso.
            “Excelente trabalho, Josh! Como sempre. Quando sairá nosso vôo?”
            “Em quarenta minutos. Podemos fazer o check in e seguir para a sala vip. Providenciei passagens na primeira classe.”
            “Maravilhoso! Merecemos ao menos viajar com conforto.”
            Que conversa mais esquisita! Como eles conseguiam ser tão polidos diante da situação? A curiosidade falou mais alto em mim.
            “Alex, como eles conseguem agir assim? Essa calma toda não é natural.”
            Alex sorriu diante da minha curiosidade.
            “Já estamos acostumados, Mel! Com o passar dos anos precisamos aprender a desaparecer. Se ficarmos muito tempo em um lugar as pessoas acabam percebendo que não envelhecemos. Somos mestres em manter as aparências, mesmo em situações de grande stress.”
            Então éramos grandes mentirosos! Não gostava disso. Como poderia saber quem realmente estava sendo sincero comigo?
            Os quarenta minutos que antecederam o embarque foram agonizantes. Não conseguia tirar os olhos da porta da sala vip. O tempo todo esperava ver Rômulo passando por ela com seu séquito de vampiros sanguinários.
            Finalmente ouvimos a chamada para o embarque e nos encaminhamos para o avião. Nic e Catalina conversavam animados com Hellen como se estivessem participando de uma excursão. Era desconfortável ver meus amigos assim, tratados como marionetes.
            Meus nervos estavam à flor da pele. Sentia que se falasse com alguém iria desmoronar. Deixei-me ser conduzida por Alex evitando conversas desnecessárias. Ele era o único que podia perceber meu real estado de espírito.
            Entramos no avião e nos acomodamos. Não havia bagagens, apenas bolsas de mão parcialmente vazias. Alex permaneceu em silêncio enquanto se acomodava ao meu lado. Apenas acariciava minha mão de forma reconfortante.
            Quando a aeromoça pediu que prendêssemos o cinto, minhas mãos trêmulas não foram hábeis o bastante para realizar a tarefa, deixei Alex terminá-la para mim. Finalmente as turbinas foram ligadas e em poucos minutos decolamos.
            Pude ouvir os suspiros de alívio de meus amigos. Agora eles poderiam deixar cair as máscaras e perder-se em seus próprios pensamentos. Não havia mais platéia para representar. Essa era a grande beleza da primeira classe, tínhamos privacidade. Ao menos enquanto durasse o vôo era possível esquecer o resto da humanidade.
            Encostei minha cabeça no peito de Alex e este passou a mão sobre meu cabelo.
            “Pode relaxar um pouco, Mel. Estamos seguros agora.”
            O problema é que não sabia até quando estaríamos seguros. Estava incerta sobre contar a Alex sobre a promessa de Rômulo. Acabei decidindo por ser sincera.
            “Alex, promete não ficar bravo se eu contar uma coisa?”
            “Depende do que você vai contar.” Respondeu Alex com ar zombeteiro.
            Dei um tapinha em seu braço.
            “É sério, Alex. Prometa!”
            “Ok. Pode falar.”
            Resolvi soltar a bomba toda de uma vez. Tomei fôlego e comecei a falar:
            “No final Rômulo falou dentro da minha cabeça. Ele prometeu que viria atrás de mim.”
            Seus dedos ficaram petrificados em meus cabelos. Desvencilhei-me e vi que sua expressão era sombria.
            “Alex, você prometeu.”
            “Eu sei. Vou cumprir minha promessa, por hora vou manter a calma. Mas terei que matar esse Rômulo. Ele não me deixa outra escolha.”
            Só de imaginar Alex enfrentando Rômulo sentia calafrios. Ele era poderoso demais, jamais permitiria que tal fato acontecesse. Não suportaria vê-lo machucado. Minha vida não existiria se Alex deixasse de existir.
            Peguei seu rosto entre as mãos e olhei diretamente em seus olhos.
            “Nós vamos dar um jeito. Não precisa se preocupar com isso agora. Pode ter sido apenas uma ameaça sem fundamento.”
            “Talvez...”
            Precisava fazer com que aquele ar sombrio em sua face desaparecesse.
            “Precisamos ter fé. De qualquer forma agora todos estão em segurança. Estamos juntos.”
            Enquanto pronunciava aquelas palavras percebi que queria desesperadamente acreditar nelas. Não sabia qual seria nosso futuro, mas desejava profundamente que fôssemos fortes e espertos o suficiente para frustrar os planos de Rômulo sem detonar uma guerra.
            De qualquer forma, independente do que nos aconteceria, estava com Alexander agora e isso era tudo que importava.
            Aproximei-me e encostei meus lábios aos seus. O beijo teve um início suave, mas logo fogo começou a queimar entre nós. De repente só havia eu e Alex no mundo, depois me preocuparia com que estava por vir...