domingo, 12 de fevereiro de 2012

DEPOIS DO CARNAVAL COMEÇAREI A POSTAR O SEGUNDO VOLUME DE HERANÇA DE SANGUE. AGUARDEM...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Mitos e lendas: PUBLICAÇÃO SEMANAL: ÚLTIMO CAPÍTULO DO VOLUME I...

Mitos e lendas: PUBLICAÇÃO SEMANAL: ÚLTIMO CAPÍTULO DO VOLUME I


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: PUBLICAÇÃO SEMANAL: ÚLTIMO CAPÍTULO DO VOLUME I Capítulo 21 – O vôo Ver as luzes de Bucareste foi um alívio. No entanto ...
PUBLICAÇÃO SEMANAL: ÚLTIMO CAPÍTULO DO VOLUME I


Capítulo 21 – O vôo

            Ver as luzes de Bucareste foi um alívio. No entanto não poderíamos ir direto para o aeroporto nas condições em que nos encontrávamos.
            Natália propôs que fizéssemos uso de uma pequena hospedaria. Todos concordaram. Enquanto nos registrávamos ela saiu para providenciar roupas limpas, as nossas estavam em estado lamentável.
            Nic e Catalina começaram a sair do estado de choque em que se encontravam. Não sabia o que dizer a eles. Decidi pedir ajuda a Sebastian.
            “Pai, o que vamos fazer com eles?”
            “São humanos, Mel, não poderão vir conosco.”
            “Mas se os deixarmos aqui  acabarão morrendo.”
            “Se vierem conosco vão nos atrasar.”
            “Não podemos simplesmente abandoná-los. Dessa forma parece que os salvamos para depois entregá-los novamente.”
            Alex enlaçou minha cintura enquanto colocava seu ponto de vista.
            “De certa forma ela tem razão, Sebastian. Seria cruel abandoná-los a própria sorte.”
            “O que você sugere?”
            “Vamos levá-los conosco, ao menos até decidirmos exatamente o que faremos. Não precisamos exatamente nos explicar. Podemos hipnotizá-los.”
            Fiquei olhando de um para outro enquanto falavam, sem saber exatamente o que pensar.
            “Pai, Alex, hipnose? Estaríamos tirando deles o livre arbítrio.”
            Alex apertou ainda mais minha cintura.
            “É o único jeito, Mel. Não podemos revelar a eles a verdade. Não temos tempo para explicações.”
            “Ok. Por hora pode ser.”
            Não deixaria meus amigos sem proteção. No entanto, assim que fosse possível libertaria suas mentes e lhes contaria a verdade. Seria um choque, mas eles tinham o direito de decidir o que fariam com suas vidas.
            Hellen e Catalina dividiriam o quarto. Assim ela poderia controlar sua mente. Robert se encarregaria de Nic. Bati o pé para ficar com Alexander, mas Sebastian estava irredutível. Acabei dividindo o quarto com Natália.
            Não tínhamos intenção de pernoitar. Sebastian pagou nossas diárias adiantadas e fomos nos preparar para partir. Despedi-me de Alex com um beijo e entrei no quarto.
            Era uma hospedaria simples. O quarto era recoberto com um papel de parede verde, o chão era de madeira escura, havia duas camas, uma ao lado da outra, e uma TV colocada em suporte de teto. Pelo menos tínhamos um banheiro.
            Como Natália ainda não havia retornado entrei no chuveiro. Quanto antes estivéssemos prontos melhor. A água caindo sobre a minha pele não teve o efeito desejado. Meus músculos continuavam tensos. As últimas palavras de Rômulo ecoavam dentro da minha cabeça. Ele havia feito uma promessa: iria me caçar.
            Ouvi quando Natália entrou no quarto. Rapidamente desliguei o chuveiro, sequei o corpo e saí do banheiro.
            Ela estava parada em frente à janela. Seus cabelos, completamente desalinhados devido aos últimos acontecimentos, lhe davam um ar selvagem. Senti um aperto no peito. Ela tinha sido minha primeira amiga na Romênia! Agora estava condenada à morte! Todos nós estávamos!
            Lentamente Natália se voltou para me olhar enquanto abria um pequeno sorriso. Provavelmente tentava demonstrar tranqüilidade.
            “Mel, as coisas nem sempre são tão ruins quanto parecem.”
            “Você pode ter razão. No entanto elas também podem ser ainda piores.”
            Nenhuma palavra no mundo conseguiria me tranqüilizar. Natália percebeu isso.
            “Certo, vamos precisar esperar para ter uma visão real da nossa situação.”
            Concordei com um aceno de cabeça.
            “Trouxe roupas descentes para você. Enquanto se arruma vou dar um jeito nesse cabelo.”
            Abri uma sacola que estava em cima da cama e encontrei um vestido preto e um casaco bege elegantíssimo. Para completar o conjunto uma bota de cano alto e altos finos juntamente com meias e lingerie pretas. Natália havia enlouquecido! Não saberia sequer andar com aquelas botas.
            Paciência! Aquilo era tudo que tinha no momento. Vesti as roupas, fiz uma trança nos cabelos e me recusei a olhar no espelho.
            Quando Natália saiu do banho soltou um assobio ao meu olhar.
            “Garota, você está deslumbrante.”
            Apenas fiz uma careta. Não me sentia deslumbrante e sim completamente desajeitada dentro daqueles trajes tão elegantes.
            Encontramo-nos todos no saguão da hospedaria e chamamos táxis para o aeroporto. Estavam todos excepcionalmente bem arrumados. Ao que parece Natália havia se divertido fazendo compras.
            Alexander era o mais lindo de todos. Vestia uma calça preta que lhe caía perfeitamente. A blusa de gola alta azul combinava perfeitamente com seus olhos e marcava seus músculos. Quando saímos completou o conjunto vestindo um casaco de couro. Senti uma vontade imensa de me jogar em seus braços, mas acabei me contentando em segurar sua mão. Isso era frustrante!
            Quando entramos nos veículos Alex passou o braço sobre meu ombro enquanto sussurrava em meu ouvido:
            “Você está linda.”
            Teria corado de vergonha, se pudesse. Entretanto, somente encostei minha cabeça em seu peito e inalei seu perfume inebriante.
            Josh já nos esperava na entrada do aeroporto. Certamente Sebastian já o havia colocado a par de toda a situação. Trazia uma maleta nas mãos e nos conduziu para dentro.
            “Sebastian, meu amigo, fico feliz que todos estejam bem.”
            “Eu também, meu amigo. Passamos por alguns momentos difíceis. Conseguiu tudo o que precisamos?”
            “Mas é claro. Estou sempre preparado, nunca sabemos quando uma mudança de identidade será necessária.”
            “E as contas bancárias?”
            “Tudo em ordem. O dinheiro já foi transferido.”
            Sebastian lhe deu um sorriso.
            “Excelente trabalho, Josh! Como sempre. Quando sairá nosso vôo?”
            “Em quarenta minutos. Podemos fazer o check in e seguir para a sala vip. Providenciei passagens na primeira classe.”
            “Maravilhoso! Merecemos ao menos viajar com conforto.”
            Que conversa mais esquisita! Como eles conseguiam ser tão polidos diante da situação? A curiosidade falou mais alto em mim.
            “Alex, como eles conseguem agir assim? Essa calma toda não é natural.”
            Alex sorriu diante da minha curiosidade.
            “Já estamos acostumados, Mel! Com o passar dos anos precisamos aprender a desaparecer. Se ficarmos muito tempo em um lugar as pessoas acabam percebendo que não envelhecemos. Somos mestres em manter as aparências, mesmo em situações de grande stress.”
            Então éramos grandes mentirosos! Não gostava disso. Como poderia saber quem realmente estava sendo sincero comigo?
            Os quarenta minutos que antecederam o embarque foram agonizantes. Não conseguia tirar os olhos da porta da sala vip. O tempo todo esperava ver Rômulo passando por ela com seu séquito de vampiros sanguinários.
            Finalmente ouvimos a chamada para o embarque e nos encaminhamos para o avião. Nic e Catalina conversavam animados com Hellen como se estivessem participando de uma excursão. Era desconfortável ver meus amigos assim, tratados como marionetes.
            Meus nervos estavam à flor da pele. Sentia que se falasse com alguém iria desmoronar. Deixei-me ser conduzida por Alex evitando conversas desnecessárias. Ele era o único que podia perceber meu real estado de espírito.
            Entramos no avião e nos acomodamos. Não havia bagagens, apenas bolsas de mão parcialmente vazias. Alex permaneceu em silêncio enquanto se acomodava ao meu lado. Apenas acariciava minha mão de forma reconfortante.
            Quando a aeromoça pediu que prendêssemos o cinto, minhas mãos trêmulas não foram hábeis o bastante para realizar a tarefa, deixei Alex terminá-la para mim. Finalmente as turbinas foram ligadas e em poucos minutos decolamos.
            Pude ouvir os suspiros de alívio de meus amigos. Agora eles poderiam deixar cair as máscaras e perder-se em seus próprios pensamentos. Não havia mais platéia para representar. Essa era a grande beleza da primeira classe, tínhamos privacidade. Ao menos enquanto durasse o vôo era possível esquecer o resto da humanidade.
            Encostei minha cabeça no peito de Alex e este passou a mão sobre meu cabelo.
            “Pode relaxar um pouco, Mel. Estamos seguros agora.”
            O problema é que não sabia até quando estaríamos seguros. Estava incerta sobre contar a Alex sobre a promessa de Rômulo. Acabei decidindo por ser sincera.
            “Alex, promete não ficar bravo se eu contar uma coisa?”
            “Depende do que você vai contar.” Respondeu Alex com ar zombeteiro.
            Dei um tapinha em seu braço.
            “É sério, Alex. Prometa!”
            “Ok. Pode falar.”
            Resolvi soltar a bomba toda de uma vez. Tomei fôlego e comecei a falar:
            “No final Rômulo falou dentro da minha cabeça. Ele prometeu que viria atrás de mim.”
            Seus dedos ficaram petrificados em meus cabelos. Desvencilhei-me e vi que sua expressão era sombria.
            “Alex, você prometeu.”
            “Eu sei. Vou cumprir minha promessa, por hora vou manter a calma. Mas terei que matar esse Rômulo. Ele não me deixa outra escolha.”
            Só de imaginar Alex enfrentando Rômulo sentia calafrios. Ele era poderoso demais, jamais permitiria que tal fato acontecesse. Não suportaria vê-lo machucado. Minha vida não existiria se Alex deixasse de existir.
            Peguei seu rosto entre as mãos e olhei diretamente em seus olhos.
            “Nós vamos dar um jeito. Não precisa se preocupar com isso agora. Pode ter sido apenas uma ameaça sem fundamento.”
            “Talvez...”
            Precisava fazer com que aquele ar sombrio em sua face desaparecesse.
            “Precisamos ter fé. De qualquer forma agora todos estão em segurança. Estamos juntos.”
            Enquanto pronunciava aquelas palavras percebi que queria desesperadamente acreditar nelas. Não sabia qual seria nosso futuro, mas desejava profundamente que fôssemos fortes e espertos o suficiente para frustrar os planos de Rômulo sem detonar uma guerra.
            De qualquer forma, independente do que nos aconteceria, estava com Alexander agora e isso era tudo que importava.
            Aproximei-me e encostei meus lábios aos seus. O beijo teve um início suave, mas logo fogo começou a queimar entre nós. De repente só havia eu e Alex no mundo, depois me preocuparia com que estava por vir...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

ÚLTIMO CAPÍTULO


NA PRÓXIMA SEMANA SERÁ POSTADO O ÚLTIMO CAPÍTULO DE HERANÇA DE SANGUE - VOLUME I, AGUARDEM!!!

domingo, 22 de janeiro de 2012

Mitos e lendas: PUBLICAÇÃO SEMANAL: CAPÍTULO 20Capítulo 20 – A ...

Mitos e lendas: PUBLICAÇÃO SEMANAL: CAPÍTULO 20


Capítulo 20 – A ...
: PUBLICAÇÃO SEMANAL: CAPÍTULO 20 Capítulo 20 – A fuga Como só eu sabia dirigir, nos apertamos em uma das caminhonetes e seguimos para o...
PUBLICAÇÃO SEMANAL: CAPÍTULO 20


Capítulo 20 – A fuga
Como só eu sabia dirigir, nos apertamos em uma das caminhonetes e seguimos para o laboratório. Tentei tirar proveito da situação e retardei ao máximo a chegada na esperança de que os demais recobrassem a consciência. Meu esforço foi em vão. Passamos pelos portões com eles ainda desacordados.
            Não tinha idéia do que fazer. Apenas os transportei para dentro e os acomodei na sala de Sebastian enquanto era vigiada de perto. Não sabia exatamente o que estava por vir, mas tinha certeza de que precisava evitar que eles tivessem acesso a sangue. Para minha sorte todo nosso estoque havia sido usado.
            Meu algoz entrou na sala.
            “Vejo que seus amigos já estão confortavelmente instalados. Agora já pode me acompanhar.”
            Um dos vampiros ficou de guarda na porta enquanto o outro seguiu conosco.
            “Onde exatamente estamos indo?”
            “Verificar em que estado estão os outros para que eu possa trazê-los de volta.”
            “E como pretende fazer isso?”
            “Seu sangue me regenerou, o meu pode fazer o mesmo com eles.”
            “Então não sou mais necessária.”
            “Você se engana, sua importância vai muito mais além. Seu sangue é puro como o meu. Você é a única fêmea da espécie, está destinada a ser minha.”
            Decidi não argumentar, era melhor não contradizer tal loucura, pelo menos até ter um plano para fugir.
            Depois de percorrermos algumas salas a inspeção estava acabada. Ele se dirigiu ao vampiro moreno que estava atrás de nós.
            “Parece que está tudo em ordem Klaus. Logo iniciaremos o processo para trazê-los ao nosso convívio. Mas eles estarão famintos.”
            “Então é hora da caça!”
            “Certamente, meu amigo.”
            Os vampiros se entreolharam e surgiu um brilho vermelho em seus olhos. Estavam excitados com a perspectiva de caçar.
            “O que vocês vão caçar?”
            Na verdade já sabia a resposta, mas precisava me certificar.
            “Comida, minha querida. Sangue fresco para os meus. Humanos deliciosos.”
            Fiquei horrorizada. Nunca havia pensado em matar alguém para me alimentar.
            “Não há outro jeito?”
            Rômulo soltou uma gargalhada.
            “Claro que há, mas que prazer haveria nisso?”
            Eles eram monstros. Gostavam de matar. Era o tipo de criatura a qual temer. Afastei meus medos e comecei a pensar com praticidade. Eles sairiam para caçar, isso me dava uma chance de escapar. Torci para que todos já estivessem acordados. Estava tão perdida em meus pensamentos que dei um pulo quando Klaus falou.
            “Ela virá conosco?”
            “Ah, bem lembrado, Klaus!”
            Então Rômulo olhou em meus olhos.
            “Cara dama, desculpe-me pela grosseria de não convidá-la. Gostaria de nos acompanhar na caçada?”
            Respondi sem pensar:
            “Você só pode estar brincando, né? Não vou tomar parte nisso!”
            Um sorriso surgiu em seus lábios.
            “Eu já esperava uma recusa. Você ainda não conheceu os prazeres que esta vida pode proporcionar, mas haverá tempo para corrigir tal descuido. Acho que é hora de ficar com seus amigos.”
            Fui trancada na sala e o guarda permaneceu. Foi ilusão minha achar que nos deixariam sozinhos. Suspirei, ao menos agora era só um.
            Percebi um movimento atrás de mim, uma cabeça se moveu. Era Alex. Corri para abraçá-lo.
            “Oh, Alex! Graças a Deus você está bem!”
            Ele se sentou e me tomou nos braços, então estávamos no beijando e tudo aquilo ficou para trás, como se o mundo deixasse de existir. Fomos arrancados do paraíso por pigarros impacientes. Era o restante que nos rodeava. Foi Natália quem falou primeiro.
            “Sinto interromper os pombinhos, mas seria bom que Mel nos explicasse como viemos parar aqui. Só consigo me lembrar da parte em que fomos atacados.”
            “Certo! Rômulo já deve ter falado para você sobre toda aquela baboseira de originais.”
            Todos assentiram.
            “Vocês também devem ter percebido que eles são incrivelmente fortes, rápidos e inteligentes.”
            Sebatian me cortou.
            “Precisamos saber o que aconteceu depois, Mel.”
            “Robert e eu fomos buscar vocês, ele não voltou e quando fui ver o que estava acontecendo encontrei vocês inconscientes e três vampiros me cercando.”
            “Por que eles não atacaram você?”
            “Esta é a maior das insanidades. O tal Rômulo, que parece ser o chefe, fica falando o tempo todo que eu também tenho sangue puro, que foi meu sangue que o libertou e que estou destinada a ser dele. É mole?”
            Percebi que a expressão de Alex se fechou e seus braços apertaram minha cintura enquanto falava.
            “Só faltava essa agora! Um vampiro milenar apaixonado por você!”
            “Não acho que ele esteja apaixonado. Tem algo a ver com aumentar o poder.”
            Foi a vez de Hellen se pronunciar.
            “Hei! Não é hora para crise de ciúmes. Vamos nos concentrar! Qual é nossa situação atual?”
            Pedi que todos chegassem mais perto e sussurrei com medo de que o guarda na porta ouvisse.
            “Só temos um guarda na porta. Os outros saíram para caçar, e acreditem: são presas humanas. Quando voltarem vão tentar ressuscitar os demais.”
            “Então precisamos agir agora!” Alex soltou minha cintura enquanto falava. “Precisamos entrar em contato com Josh. Sebastian onde ele está?”
            “Viajou até Bucareste para buscar alguns materiais que acabaram, mas já deve estar voltando.”
            Alex colocou a mão no bolso da calça e retirou o celular.
            “Para nossa sorte eles desconhecem a tecnologia atual. Acho que ainda tenho bateria para mandar uma mensagem. Vou pedir que nos espere no aeroporto de Bucareste com passagens para Paris.”
            “Mas e as pessoas que eles estão trazendo para cá? Não podemos deixar que morram!”
            Alex segurou meu rosto.
            “Mel, meu amor, nossa prioridade é sair daqui e colocá-la em segurança. Depois vamos nos organizar e voltar para pegá-los.”
            Quis protestar, mas sabia que ele tinha razão.
            “Alex, não podemos deixar que tentem ressuscitar os demais.”
            Robert concordou comigo.
            “Ela tem razão, a força deles aumentará muito.”
            “Ok, então queimaremos os corpos na fuga.”
            O plano era bem simples: Alex e Robert renderiam o guarda e arrancariam sua cabeça, deixá-lo vivo significaria dar chance ao inimigo, depois incendiaríamos o laboratório, assim todos os corpos estariam perdidos para sempre. Josh nos esperaria no aeroporto e seguiríamos para Paris, de lá estudaríamos uma estratégia para pegar Rômulo.
            A tarefa de render o guarda parecia fácil, não estávamos preparados para o que aconteceu.
            Quando Alex e Robert derrubaram a porta, prontos para atacar o guarda, ele não se encontrava mais lá. Antes que pudéssemos nos recuperar da surpresa senti um vulto passar por mim. Olhei para trás e vi Hellen e Natália caídas no chão, inconscientes.
            Como aquilo era possível? Mesmo que ele tivesse ouvido nossa conversa não teria tempo de reagir tão rápido. Sem contar o fato de que era apenas um! Deveríamos ser capazes de dominá-lo.
            Alex, Robert e Sebastian, finalmente recuperados da surpresa, colocaram-se em posição de ataque. Trabalhando em conjunto buscavam cercar seu oponente. Mas ele era veloz demais. Era difícil focalizá-lo enquanto se movia.
            Não sabia o que fazer para ajudar. Nunca havia lutado na vida.
            Enquanto tentava imitar os movimentos de Robert o guarda passou por nós e imobilizou Alex. Em apenas um segundo ele estava segurando sua cabeça entre as mãos. Não tive tempo para pensar. Alex seria assassinato bem na minha frente. Precisava fazer alguma coisa.
            Em menos que um piscar de olhos eu estava voando em direção ao guarda. Senti minhas mãos, dotadas de uma força inumana, segurarem seus braços e libertarem Alex. Mas isso não bastava. Eu não queria parar. Queria aquela criatura morta. Meus caninos tocaram seu pescoço rasgando a carne, cortando tudo o que encontraram pela frente. Inicialmente podia ouvir seus gritos de dor. Depois só restou o silêncio.
            O tempo pareceu parar. Minha mente ficou completamente vazia. Não conseguia dizer onde estava ou o que estava acontecendo. Sentia algo pesado em minhas mãos, mas não queria ver o que era. Voltei à realidade ao ouvir a voz suave de Alex enquanto se aproximava.
                        “Mel, meu amor, você está bem? Posso me aproximar? Está tudo acabado agora!”
            Por que ele estava sendo tão cuidadoso? Por que precisava pedir permissão para se aproximar?
            De repente, como num lampejo, toda a ação anterior foi voltando a minha mente. Gritei horrorizada:
            “AH, NÃO!”
            Olhei para minhas mãos que seguravam a cabeça de um vampiro. Eu havia feito aquilo! Matara alguém! E tinha gostado disso! Comecei a tremer.
            Alex se aproximou e retirou a cabeça de minhas mãos. Depois me abraçou enquanto procurava me acalmar.
            “Está tudo bem! Acabou! Estamos livres!”
            Comecei a falar com voz trêmula.
            “Eu o matei! Arranquei sua cabeça.”
            Alex começou a acariciar meus braços.
            “Mel, você não teve escolha...”
            “Ele ia matar você.”
            “Eu sei, meu bem. Você fez a coisa certa.”
            “Como matar alguém pode ser a coisa certa a se fazer?”
            Fiz aquela pergunta mais para mim mesma. Alex pareceu perceber, pois não se preocupou em responder, apenas continuou me abraçando.
            Queria muito chorar. Sentia que se movesse um músculo ficaria histérica. A sensação de prazer que senti quando ataquei aquele vampiro estava me matando. Eu havia gostado! Meu Deus! Eu era um monstro!
            “Mel, meu amor, você precisa respirar. Vamos! Bem devagar!”
            Obedeci automaticamente, imersa em meus pensamentos. Sentia-me aliviada por ter salvado Alex, mas também estava miserável por ter me transformado em uma assassina. Também não conseguia entender como fora capaz de tal feito. Desconhecia a força e a velocidade que surgiram em mim.
            “Mel?”
            Alex me trouxe novamente a realidade.
            “Alex?”
            “Precisamos sair daqui.”
            Ele tinha razão, o perigo ainda nos espreitava. Natália e Hellen ainda estavam desacordadas, então Robert e Sebastian decidiram carregá-las.
            Nunca fora tão difícil caminhar pelos corredores daquele prédio. Outrora repletos de pessoas agora estavam sombrios, um silêncio mortal nos envolvia.
            À porta do laboratório de Sebastian paramos. Ele tomou a frente e abriu a porta enquanto falava.
            “Vamos começar por aqui. É onde se encontra o maior número de corpos.”
            Entrando pude contar nove macas, precisávamos acabar com eles antes que pudessem nos atacar. A lembrança do vampiro morrendo em minhas mãos fez com meu corpo se retesasse. Coragem! Precisava seguir em frente! Não era hora para crises emocionais. Depois poderia pensar no que fiz e tentar conviver com isso.
            Natália e Hellen foram depositadas no chão enquanto Alex as examinava.
            “Ele interrompeu o fluxo de sangue para o cérebro. Precisamos reanimá-las.”
            Como ele sabia tudo aquilo? Parece que todos ali eram gênios.
            Em pouco tempo as duas estavam de pé. Um pouco desorientadas, sem saber o que havia acontecido, mas vivas. Robert explicou rapidamente os últimos acontecimentos enquanto pegávamos querosene e espalhávamos sobre os corpos.
            Alex interrompeu seus movimentos e chamou nossa atenção.
            “Eles voltaram.”
            Hellen olhou-o surpresa.
            “Como pode ter tanta certeza?”
            “Posso ouvir passos do lado de fora. Estão trazendo muitos com eles.”
            Alex tinha razão. Também podia ouvir os passos. Era capaz de ir além, havia corações batendo. Estavam trazendo suas vítimas. Provavelmente umas quinze. Quantas pessoas inocentes destinadas a ter um fim tão terrível!
            Enquanto acabávamos de encharcar os corpos tive a certeza de que não conseguiríamos completar o trabalho. Aqueles corpos seriam os únicos que incendiaríamos. O cheiro de mofo e sangue ficava cada vez mais forte, agora conseguia identificar algo mais, eles cheiravam a madeira e rosas. Provavelmente era um odor agradável quando estavam limpos.
            “Pai, precisamos sair daqui, eles estão entrando.”
            Ninguém questionou minha afirmação. Com enorme velocidade nos posicionamos em frente às duas janelas existentes. O plano era atearmos fogo e pularmos por elas.
            Antes que Natália pudesse acender o isqueiro ouvi duas vozes conhecidas.
            “Quem são esses caras, Nic?”
            “Sei lá. Mas são bem estranhos.”
            “Não consigo imaginar uma equipe de pesquisadores tão renomados se relacionando com esses tipos. Você viu as roupas deles?”
            Droga! Só faltava essa! Rômulo pegara Nic e Catalina.
            “Espere, Natália!”
            Sua mão parou no ar e seu olhar se voltou para mim.
            “O que foi, Mel?”
            “Eles pegaram Nic e Catalina. Vou ter que tirá-los daqui.”
            Ouvi Alex praguejar antes de falar.
            “Não podemos ir lá agora.”
            “Mas eles são meus amigo. Não vou abandoná-los.”
            “Então eu vou sozinho.”
            “Nem pensar! Vão pegar você também.”
            “Se formos os dois também poderemos ser capturados.”
            “Aí é que você se engana. Sou mais rápida que eles, já provei isso.”
            Não queria lembrar do meu ato como assassina, mas não tinha outra forma de convencê-lo.
            “Não gosto da idéia, você pode de machucar.”
            “Não vou deixá-los aqui.”
            “Teremos que ser muito rápidos.”
            “Eu consigo.”
            Sabia que tinha vencido. Alex sabia que tentaria o resgate com ou sem a sua ajuda.
            “Natália fique preparada. Assim que entrarmos novamente por aquela porta ateie fogo.”
            Sebastian segurou meu braço.
            “Mel, vou com você.”
            Alex chamou-o a razão.
            “Precisamos ser rápidos, se estivermos em maior número isso nos atrasará.”
            A expressão de meu pai era de profundo desgosto.
            “Não deixe que nada aconteça a ela, Alex.”
            Alex apertou sua mão e saímos para o corredor.
            Decidimos seguir para a sala da segurança. As câmeras de lá nos mostrariam exatamente a posição de Nic e Catalina.
            Klaus entrou no prédio e conduziu a todos para a recepção. Para nossa sorte Nic e Catalina ficaram próximos ao corredor que dava acesso aos laboratórios.
            “Mel, não vamos ter tempo para explicações. Vamos ter que assustá-los.”
            Concordei com um aceno de cabeça.
            “Teremos que ser bem rápidos, eles vão notar nossa presença de qualquer maneira.”
            “Como vamos agir, Alex?”
            “Simplesmente entraremos e pegaremos os dois. Eu fico com o rapaz. Depois corremos o máximo possível. O elemento surpresa estará a nosso favor.”
            Enquanto corríamos em direção à recepção nossos passos pareciam ecoar alto, não importava o quão leve estivéssemos pisando.
            Nic e Catalina nem viram o que os arrebatou. Voávamos pelos corredores. Nossa vantagem era mínima, podia sentí-los em nosso encalço.
            Sem olhar para trás passamos pela porta do laboratório e as chamas explodiram. Graças a Deus Natália estava a postos.
            Enquanto as labaredas subiam e pulávamos pelas janelas meu olhar cruzou com o de Rômulo. Estranhamente sua expressão era divertida.
            Quando meus pés tocaram o chão pude ouvir sua voz dentro de minha cabeça.
            “Você não vai poder fugir eternamente, Mel! Eu vou achá-la! Isso só torna o jogo ainda mais estimulante.”